… depois de algum tempo, a gente cansa de ser chamada por tantas pessoas de ‘a mulher da minha vida’.
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acabei de assistir o Romeu+Julieta.
aquele do Leonardo DiCaprio com a Claire Danes. aquele com figurinos maravilhosos, bem colocados e loucamente adequados. aquele de trilha sonora magnífica. aquele com direção de arte fantástica. aquele do Príncipe dos Gatos. aquele dirigido pelo gênio que dirigiu Moulin Rouge.
esse.
um dos meus filmes prediletos mesmo com todos os erros de continuidade, inglês e português da legenda arcaicos e curta duração. e o é por me deixar no mesmo estado que sempre me deixa no final: pensativa.
eu costumava ver todos os meus ‘amores’ dessa forma. essa doentia e cataclística forma que o romeu vê e que, na minha humildíssima opinião, é muito bem interpretada pelo DiCaprio no filme. enfim, eu me via assim. achava necessário e só experimentava gostar das pessoas se fosse exatamente assim: doído, com gosto.
quando parei, as coisas pararam de ter graça. ou tiveram por um tempo e logo ficou banal, maçante, morto; caiu na rotina dos relacionamentos cheios de cobranças ridículas e que estão de mãos dadas com dores de cabeça pesadas o suficiente pra sentir o brilho da tela do notebook incomodando.
tiro na cabeça nunca resolveu o problema de ninguém, nem o deles, é verdade. e o meu, de encontrar um meio termo e não cair na armadilha do relacionamento ‘chocolate branco’ ninguém resolveu também. ninguém também tem coragem de assumir a culpa por isso ou ser mais interessante. ou viver todos esses relacionamentos com esse gosto de ‘última vez’.
e porque não dizer apenas ‘viver com gosto’?
eu devo ter um problema mais sério que imagino.
♫ radiohead – talk show host









