Arquivado em: família, post de blog | Tags: amigos, casa, cheiros, conversas, lisie, olívia
hoje cedo, enquanto dissolvia 1/4 de vermífugo na água pra fazer olívia tomar, conversávamos. é. eu e olívia.
pra quem – ainda – não sabe, olívia é meu cachorro. ou ‘minha cachorra’. ou minha cadelinha poodle branquinha mimimi frufru de 1 ano e uns quebrados. não interessa. é meu bichinho de estimação.
olívia {:
e conversávamos.
vários desses assuntos de todo-dia, como por exemplo, a insatisfação dela de ficar em um desses hoteizinhos pra cachorros no carnaval, enquanto nós, bípedes e evoluídos, nos enterraremos numa dessas praias lotadas com muito axé e calor.
só que a conversa chegou naquele ponto que eu não gosto: pessoas. e ela me aconselhou a prestar mais atenção nas reações dela antes de decidir se vou ou não me relacionar com outrem.
eu já tinha reparado no tato dela pra isso. em 5, ela errou apenas uma vez. e essa vez nem conta muito, afinal ela era um filhote. e filhote de poodle é tudo sem vergonha mesmo.
ela disse que é o cheiro e deve ser. pelo meu superficial e humano conhecimento sobre cheiros e pessoas, de fato, todos os que cheiravam realmente bem, receberam o OK dela sem hesitação.
aí, eu me lembrei da conversa que tive com a Lori ontem. sobre cheiros também. e lembrei olívia da forma como ela reagiu quando conheceu o protagonista do assunto. bem aquele jeito ‘ME ADD’ e tal.
e ela me disse que quer conhecer a Lori. e que, provavelmente, se arrepende muito mais de ter errado naquela primeira vez do que se arrepende de comer pipoca.
coisa dela.
♫ the donnas – revolver
sabe, mãe. é muito engraçado. esta é mais uma das vezes que sou tachada de ‘filha assassina’ por um motivo – que, sinceramente considero – muito pequeno.
chegar tarde no domingo, desrespeitando o combinado não foi correto. mas justificável. aceite ou não a tal, ela – mais uma vez usando a primeira pessoa – é bastante válida.
há alguns dias comentei sua carência, brincando com isso. isso ali, sentadas na mesa do clube. a senhora riu, mas concordou. e estávamos lá porque a senhora me pediu para acompanhá-la. normal. acho bem normal te acompanhar ao clube ou ao cinema. admiro também quem o faz, fora nós duas.
porém, era sábado. um tempo que eu podia estar com meus amigos ou namorado.
outros sábados seguiram do mesmo jeito. e o meu tempo com quem eu só posso ver nesse dia e/ou domingo, reduzido a um dia.
tudo bem.
ontem a mesma cena se repetiu várias vezes. com mais chacotas.
eu tinha um convite para almoçar e um para caminhar no fim da tarde. não fui e fiquei com vocês. muito em prol do ‘programa em família’, do ‘passar tempo com os pais e socializar’. por causa desse almoço e da correria que se seguiu, também não vi ninguém do meu convívio ‘além dos portais de casa’.
fui à uma festa e não me senti à vontade em momento algum – tanto por pessoas, tanto pelo fracasso na roupa -, servir de companhia e fazer mais uma vez o papel que o seu marido deveria exercer sem tacar a batata pra mais ninguém. e devia fazê-lo sem chiar, inclusive, em nome de tudo o que a senhora faz por ele.
ontem, no clube, no cinema, fazendo orçamento de carros. tenho estado presente nessas pequenas coisas que não são realmente funções minhas. e sim, opções. eu simplesmente gosto de fazer isso, por ser a minha mãe e ser minimamente grata por todos os desdobramentos que brotam quase que do além por mim.
e a senhora bem sabe que se eu não quisesse de fato, não faria.
hoje, domingo, como em muitos outros, o meu tempo pra ver e conversar e conviver com pessoas que gosto e também gostam da minha presença estava reduzido. com as desistências sobre inhotim, todo – sato e lori – mundo também tinha coisas extras pra fazer enquanto eu estava, mais uma vez, te acompanhando. quando o sato foi liberado e finalmente consegui contato com a lori, já era relativamente tarde. saímos, fomos conversando e o tempo que era curto passou rápido demais. eu não vi quando passou das 23h. pra mim, ainda eram 21h.
a senhora pode argumentar que a zia fazia tudo isso sem reclamar. é, verdade. mas ela namorava? não. e enquanto com o olavo, quantas vezes ela largou o final de semana com ele pra ir ao clube com a senhora? nenhuma. ela tinha amigos que faziam questão dela como se fossem irmãos? não. eu não tenho vários desses não, mas sou observadora o suficiente pra dizer quem é que pode me acompanhar em um momento de dificuldade grande. a lori alguma vez saiu do meu lado ou esteve indisponível nesse meu período de crise? não.
então, o que de fato fiz de errado, mãe? assim, de tão grave?
eu não consigo ver a profundidade do crime que eu cometo querendo aproveitar o pouquinho de tempo que tenho com as pessoas que eu gosto e que não posso ver ou acompanhar todo dia. opção. assim como opto por ficar com a senhora de vez em sempre. assim como a senhora faz diversas opções na vida – as quais não posso intervir. opção, a minha, que friamente não é tão grave que precisa carregar ’sofrimento’ de adjetivo.
confiscando minha chave, me proibindo de ir à faculdade, me proibindo de ver quem me faz bem – coisa que meu próprio pai é incapaz de fazer?
a minha casa pode não ser um hotel, mas não quero acreditar que seja uma prisão.
♫ munchausen by proxy – uh huh









